A delicada tarefa de ser jornalista frila

Um reflexão sobre mercado de trabalho, matérias, fotografias, pautas etc

16

de
maio

Sempre um jeitinho

Entrei para o jornalismo porque adorava as coberturas esportivas e, juntamente com elas, a fotografia. Adorava ver nos eventos esportivos a ação dos fotojornalistas e suas máquinas sofisticadas. Estudei jornalismo pensando em ser um desses caras, porém, concessão daqui, frila dali, bico de cá, quebra-galho mais adiante e aos poucos, tanto o esporte como a fotografia foram escapando de minhas mãos, mas nunca de minha mente. A cada pauta ‘nada a ver’ eu me perguntava: “o que é que eu estou fazendo aqui ?” “Por que é que tenho de me empenhar em saber o preço da arroba do boi gordo ?”; “Cipa ? Ah, não é sigla de time ?”; “O sobrenome do diretor corporativo é
Tallavares Gonsalves ?” MInha cabeça sempre viveu de maneira dividida: parte tinha de prestar atenção nesses detalhes chatos, parte queria gols, pontos, torcidas ensandecidas. É, a fila anda e o frila, anda também, pra caramba. Às vezes, não chega aonde queria, mas onde precisou chegar.

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